Seleção

A cria que chuta a desconfiança: Vini Jr. assume o protagonismo na Copa do Mundo

Com dois gols e participações decisivas, o ex-Flamengo lidera a Amarelinha em um início promissor e responde às críticas.

Neste início de Copa do Mundo, o nome de Vini Jr. ecoa com força, mas desta vez, não pela habitual comparação entre seu desempenho no Real Madrid e na Seleção Brasileira. Pelo contrário: o camisa 7, cria do Flamengo, tem sido o grande protagonista da Amarelinha, participando de todos os quatro gols marcados pela equipe até aqui no torneio, calando a desconfiança que costuma rondar seu nome quando veste a camisa verde e amarela.

Até o momento, o Brasil soma uma vitória e um empate no Grupo C, com quatro pontos e a liderança pelo saldo de gols, à frente de Marrocos. E em cada um desses quatro tentos, a marca de Vini Jr. está presente. Na estreia contra Marrocos, foi ele quem balançou as redes para empatar o jogo. Já no “show” contra o Haiti, o atacante mostrou sua versatilidade: deu o chute que gerou o rebote para o primeiro gol de Matheus Cunha, serviu o próprio Matheus Cunha com um lindo passe para o segundo, e sacramentou a vitória por 3 a 0 no Estádio da Filadélfia ao receber uma assistência de Paquetá e marcar o terceiro. Uma performance, no mínimo, irada.

Essa ascensão de Vini Jr. na Seleção não é apenas um bom momento, mas um divisor de águas na sua trajetória com a Amarelinha. Desde que surgiu na Gávea, carregou o peso da expectativa, algo comum a toda cria rubro-negra que desponta cedo para o mundo. No Real Madrid, a afirmação veio com muito trabalho e títulos. Na Seleção, porém, a sombra do “outro Vini” – o do clube – sempre pairou, gerando cobranças e questionamentos sobre sua capacidade de replicar o mesmo nível. Agora, ele dá um papo reto em campo, mostrando que a maturidade e a liderança que o torcedor flamenguista viu florescer ainda na base estão mais do que consolidadas.

É um cenário que remete a outros jovens talentos formados no Ninho do Urubu que, ao longo da história, precisaram romper barreiras e provar seu valor em contextos de alta pressão. E é maneiro ver que, ao lado de Vini Jr., está Lucas Paquetá, outro talento revelado na Gávea, que também contribui com assistências e com sua qualidade no meio-campo. A Nação sempre soube do potencial desses meninos, e vê-los brilhar juntos em uma Copa do Mundo é um orgulho que transcende as cores da Seleção.

Como o próprio Vini Jr. afirmou após o triunfo contra o Haiti, ele sabe da sua importância e quer evoluir, contribuindo não só com gols, mas com seu trabalho em campo. É um sinal claro de que a desconfiança foi, de fato, chutada para longe, e o protagonismo assumido por ele é real e consistente. Agora, o desafio é manter o ritmo e a liderança do grupo C contra a Escócia, na próxima quarta-feira (24), em Miami. O povo rubro-negro, que o viu dar os primeiros passos, vai estar de olho, na torcida para que essa cria siga fazendo história.

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