Crias do Ninho

Filipe Luís: da Gávea ao Principado, a gestão de um ídolo no banco europeu

Após multicampeonato no Flamengo e demissão controvertida, ex-lateral assume o Monaco em sua primeira experiência no Velho Continente.

A despedida de Filipe Luís do futebol brasileiro ganhou ares de “até logo” definitivo esta semana, com a confirmação de sua ida para o Monaco, na França, onde assumirá o cargo de treinador. A notícia veio acompanhada de uma emocionante postagem de Diego Ribas, um dos integrantes do quarteto histórico que marcou época no Flamengo em 2019, ao lado do próprio Filipe Luís, Éverton Ribeiro e Rodrigo Caio. A mensagem, que circulou nas redes sociais, sublinha a forte ligação entre os ex-companheiros, mesmo com o encerramento de suas trajetórias no clube rubro-negro.

Para entender o peso dessa transição, vale resgatar a recente jornada de Filipe Luís como técnico. Após pendurar as chuteiras em 2024, o ídolo rubro-negro não demorou a iniciar sua carreira na casamata, começando nas categorias de base do Flamengo. A ascensão foi meteórica: pouco tempo depois, já estava à frente do time principal, onde, em 101 jogos, acumulou um aproveitamento de 70%, com 64 vitórias, 22 empates e apenas 15 derrotas. Sob seu comando, o Mengão levantou troféus importantes, incluindo Copa do Brasil, Supercopa do Brasil, Campeonato Carioca, Brasileirão, Libertadores, Derby das Américas e Challenger Cup.

No entanto, nem mesmo esse currículo vitorioso garantiu sua permanência. O início de 2026 marcou uma queda de rendimento, com os vices na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, culminando em sua demissão. A decisão, que gerou burburinho nos bastidores, aconteceu logo após uma goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, pela semifinal do Carioca, em 4 de março daquele ano. Um “deu ruim” que poucos esperavam, ainda mais com um resultado tão expressivo na rodada anterior.

Agora, o desafio é na Europa. Filipe Luís acertou contrato de duas temporadas com o Monaco, válido até junho de 2028, em uma negociação conduzida por Thiago Scuro, diretor esportivo do clube francês. A concorrência para ter o treinador foi pesada, com Benfica (POR), Besiktas (TUR), Fenerbahçe (TUR) e Bayer Leverkusen (ALE) monitorando a situação. Até o Chelsea (ING) chegou a ser especulado, mostrando o valor que o mercado europeu atribui ao trabalho do brasileiro.

A chegada de Filipe Luís ao Monaco representa mais do que uma simples transferência de técnico; é a estreia de um nome com peso no futebol europeu em uma nova função, carregando a bagagem de um multicampeão pelo Flamengo. A escolha do Monaco, que busca recolocar a equipe em posições de destaque após um sétimo lugar no Campeonato Francês, revela uma aposta na mentalidade vencedora que o brasileiro demonstrou na Gávea. O elenco, que conta com nomes como Paul Pogba, Balogun e os brasileiros Caio Henrique e Vanderson, oferece material humano para o projeto.

Contudo, a gestão dessa nova empreitada vem com um perfil enxuto. O ex-lateral terá apenas um auxiliar e um preparador físico em sua comissão técnica, sem a companhia de Rodrigo Caio, seu parceiro de longa data no Flamengo. Isso levanta uma questão sobre o modelo de trabalho e o suporte que terá em um mercado tão competitivo. É um papo reto: gerir um time com ambições europeias com uma estrutura mínima pode ser um desafio e tanto, exigindo ainda mais do treinador. A diretoria do Monaco, liderada por Scuro, parece ter feito uma escolha calculada, mas que impõe uma pressão considerável sobre Filipe Luís.

Sua saída do Flamengo, vale dizer, foi um exemplo clássico de como a régua de exigência no futebol brasileiro, especialmente no Mengão, é altíssima. Mesmo com títulos e um aproveitamento expressivo, a sequência de dois vices foi suficiente para a diretoria avaliar que a estratégia precisava mudar. Não é passar pano, é constatar o cenário.

O que se sabe até aqui é que Filipe Luís se lança em uma nova parada, longe do calor da Nação e dos bastidores do Ninho, para provar seu valor como gestor de campo em solo europeu. A gratidão pela trajetória no Flamengo é inegável, como bem mostrou a mensagem de Diego Ribas. Mas agora, a missão é outra: implementar seu estilo de jogo e buscar vitórias no Principado. Acompanharemos de perto os próximos capítulos dessa história, que promete ser tão intensa quanto sua carreira de jogador.

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