Seleção

O lateral que saiu do Liverpool de graça — e tem uma conta aberta com o Mengão

Robertson é o único escocês da Copa que já enfrentou o Flamengo, traz no currículo a final de 2019 e uma rixa que ele mesmo não esqueceu

Enquanto Brasil e Escócia se preparam para se encontrar nesta quarta-feira (24), às 19h de Brasília, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, uma informação passa batida pra quem não estava atento ao futebol em 2019: dos 26 convocados da seleção escocesa para a Copa do Mundo de 2026, apenas um já entrou em campo contra o Flamengo ao longo da carreira. Esse nome é Andy Robertson, lateral esquerdo que está deixando o Liverpool sem custo algum para o Tottenham — e que carrega na memória uma final de Mundial que o Mengão preferia ter esquecido.

A partida em questão foi a final do Mundial de Clubes de 2019, disputada em Doha, no Catar. De um lado, o Liverpool comandado por Jürgen Klopp. Do outro, o Flamengo de Jorge Jesus, que chegava àquela decisão como uma das equipes mais empolgantes do futebol sul-americano. Robertson ficou em campo pelos 120 minutos, participou da vitória inglesa por 1 a 0 — gol de Roberto Firmino na prorrogação — e saiu campeão. Parecia encerrado o capítulo. Só que nos bastidores da decisão rolou uma parada que ganhou repercussão à parte.

Durante a partida, Rafinha — lateral do Flamengo à época — fez falta dura em Sadio Mané. Robertson, companheiro de Mané, não gostou e foi direto: prometeu "pegar" o brasileiro após o duelo. Câmera e microfone registraram tudo, e o incidente chegou à imprensa europeia. Depois, Robertson tentou contextualizar em entrevista ao Daily Mail: disse que estava tentando acalmar Mané, que já tinha cartão amarelo, e que qualquer time coeso protegeria um companheiro naquele momento. "Somos uma família e se alguém está sendo alvo, vamos proteger. Isso acontece em qualquer time bom", afirmou o escocês. Ficou claro que o destaque que a treta ganhou o incomodou — e ele pediu para ser lembrado pelo que fez dentro de campo, não pela discussão com Rafinha.

Vale dizer que Robertson não estava errado em querer o episódio minimizado. O que os bastidores revelaram ali não foi falta de caráter, mas a dinâmica de pressão de uma final de mundo — e ele ao menos teve a honestidade de reconhecer que a câmera pegou o que não deveria. "Infelizmente, a câmera e o áudio pegaram", admitiu. Tensão entre jogadores rivais numa decisão dessa magnitude é parte do jogo; o que surpreende é que ainda vire escândalo.

Agora, sete anos depois, Robertson chega ao confronto de Copa do Mundo com o Brasil carregando um currículo sólido e um desfecho de mercado que diz bastante sobre o estágio da carreira: aos 31 anos, ele fecha o ciclo no Liverpool — clube onde foi referência por quase uma década — e vai para o Tottenham sem que os ingleses recebam um centavo pela transferência. Isso é sinal claro de uma reavaliação natural: ainda está em alto nível para a seleção escocesa, mas o Liverpool entendeu que a hora de renovar havia passado. Do ponto de vista de gestão, é uma das situações mais comuns no futebol europeu — o clube opta por não renovar, o jogador sai livre e assina onde quiser.

No recorte da Copa, a Escócia chega ao confronto com três pontos no Grupo C — um a menos do que o Brasil, que segue com quatro, sob o comando de Carlo Ancelotti. A equipe brasileira precisa de um resultado que consolide a classificação; os escoceses, de uma vitória para segurar a vaga. Papo reto: é um jogo com muito em jogo dos dois lados, e Robertson sabe que é um dos pilares defensivos da seleção europeia.

Para a Nação, o interesse é mais sentimental do que estratégico. Robertson é o único da delegação escocesa que cruzou o caminho do Flamengo em nível de decisão — e cruzou do lado vencedor. Aquela final de 2019 ainda pesa em muita gente, e talvez por isso o nome do lateral apareça mais do que o contexto do jogo justificaria nos grupos rubro-negros essa semana. A conta do Mundial de Clubes está quitada há tempo. Mas memória de flamenguista é longa.

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