Crias do Ninho

Paquetá no comando, Brasil 3 a 0 no Haiti e Ancelotti já tem o ás na manga

Cria do Ninho brilha no meio-campo da Seleção, trio com Casemiro e Bruno Guimarães é destaque — e Neymar tem data para aparecer

Papo reto: o Brasil estreou na Copa do Mundo como deveria — sem drama, sem VAR polêmico salvando a pátria, e com Lucas Paquetá lembrando pra todo mundo por que ele é titular da Seleção Brasileira. O 3 a 0 sobre o Haiti, na sexta-feira (19) em Filadélfia, foi convincente o suficiente para mandar o Brasil à liderança do Grupo C e dar ao técnico Carlo Ancelotti a base para escolhas difíceis adiante.

O cria do Ninho fez o que se espera de um meia que entende o jogo de verdade: deu mobilidade, circulou entre as linhas e, na reta final da primeira etapa, encontrou Vini Jr com um passe que descreveu exatamente o que é a Seleção quando funciona bem. Vinícius arrancou, encarou o goleiro haitiano e balançou as redes para fechar o placar em 3 a 0. Não é drama, é leitura de jogo — e essa é a especialidade de Paquetá faz um bom tempo na Europa.

O trio de meio-campo com Casemiro e Bruno Guimarães foi o setor mais elogiado da partida, e não é pra menos: equilibrou a equipe, deu opções de saída de bola e não deixou o Haiti respirar. Quando perguntado se essa é a formação ideal da Amarelinha, Ancelotti desconversou com elegância italiana. Disse que Matheus Cunha foi uma boa opção para aquele jogo específico, que filtrou bem os passes, mas que prefere não ter "identidade clara" porque pode mudar no próximo confronto. Leia: o treinador já pensa na Escócia e não quer mostrar as cartas antes da hora.

E a carta mais importante já tem data de entrada. Ancelotti confirmou que Neymar vai treinar individualmente no sábado, se reintegrar ao grupo na segunda-feira e estar disponível para o confronto com os escoceses na quarta-feira (24), em Miami. O camisa 10 estava sendo preservado; a preparação entra agora na fase final. Para um grupo que lidera com folga no saldo de gols, a chegada de Neymar é mais trunfo do que necessidade — mas é o tipo de trunfo que muda o peso psicológico de um jogo.

Sobre Vini Jr, Ancelotti disse algo que merece atenção: "Não esperamos que seja o Mundial de Vinícius, esperamos que seja o Mundial do Brasil." Parece clichê, mas é posicionamento estratégico. O atacante participou de todos os gols do Brasil até aqui, e há uma pressão enorme de mídia e torcida para que ele seja O cara. Caraca, às vezes deixar o camisa 7 jogar sem o peso do mundo nas costas é a melhor tática — e Ancelotti parece saber disso.

O Brasil fecha a primeira rodada em primeiro no Grupo C com quatro pontos, empatado com Marrocos — que fica atrás apenas no saldo de gols. Escócia tem um ponto, Haiti está zerado. A conta é simples: uma vitória sobre os escoceses praticamente classifica a Seleção. Mas futebol com "praticamente" ainda não classificou ninguém.

O próximo teste dirá muito mais sobre a real capacidade desse Brasil do que o 3 a 0 sobre o Haiti. É contra times que pressionam, fecham os espaços e jogam em transição que se descobre se o meio-campo funciona de verdade ou se foi estreia fácil demais. Paquetá, que conhece esse tipo de desafio há anos lá fora, vai precisar repetir o nível — e a Nação já reservou espaço na timeline para comemorar se ele fizer isso.

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