Plata no Chão, Equador na Corda Bamba
Atacante do Flamengo chora após empate sem gols com Curaçao e depende de vitória sobre a Alemanha para seguir no Mundial
Gonzalo Plata deitou no gramado do Estádio Kansas City, nos Estados Unidos, e esperou ser consolado pelo técnico Sebastián Beccacece. A imagem do atacante do Flamengo em lágrimas, ao ouvir o apito final do empate sem gols entre Equador e Curaçao, pela segunda rodada do Grupo E da Copa do Mundo, diz algo que a tabela explica com frieza: uma derrota e um empate somam um ponto, e o caminho até o mata-mata passou a exigir vitória obrigatória contra a Alemanha na rodada decisiva.
A partida foi o tipo de jogo que fica na memória pelos motivos errados. O Equador pressionou, criou chances e esbarrou repetidamente em Eloy Room, o goleiro de Curaçao que fez 15 defesas na noite — o maior número registrado por um arqueiro em uma única partida de toda a história da Copa do Mundo. É um dado que precisa ser dito sem relativização: Curaçao não segurou o resultado por sorte ou acidente, mas porque teve um goleiro em estado de graça. Isso é um fato esportivo tão legítimo quanto qualquer gol marcado, e o Equador vai precisar encarar essa realidade antes de sonhar com a Alemanha.
Plata foi apontado como o melhor em campo pelo lado equatoriano — o que é ao mesmo tempo um elogio individual e um diagnóstico coletivo. Quando o destaque do time chora deitado no gramado ao fim de um 0 a 0, é porque a equipe ao redor não conseguiu transformar esforço em resultado. Ele chegou ao Mundial com esperança real de ajudar sua seleção a avançar. Essa esperança ainda não morreu, mas ficou bem menor depois de Kansas City.
A matemática do Grupo E é simples e crua: o Equador precisa vencer a Alemanha na terceira rodada. Mais do que isso, precisa torcer para Curaçao bater a Costa do Marfim — para que o segundo lugar do grupo seja uma possibilidade real. O saldo de gols pode entrar como critério de desempate, o que torna necessário não apenas vencer, mas vencer bem. Não há espaço para empate heroico nem para aguardar outros resultados.
Para a Nação, tudo isso tem um peso concreto. O Flamengo cedeu Plata para o Mundial, e agora acompanha de longe uma situação que pode encerrar sua participação prematuramente — ou lançá-lo para uma das provas mais duras da fase de grupos. Quem acompanha o clube há décadas sabe que Copa do Mundo é uma vitrine que pode mudar o patamar de um jogador ou deixar marcas que demoram a apagar. Plata vai enfrentar essa encruzilhada sem rede de proteção.
O Mengão, no entanto, tem representantes além de Plata neste torneio. Léo Pereira, Lucas Paquetá, Danilo e Alex Sandro estão com a Seleção Brasileira. Arrascaeta, De La Cruz e Varela defendem o Uruguai. É uma presença internacional expressiva para qualquer clube — o Flamengo ocupa esse espaço com peso real na Copa, e cada um desses jogadores carrega o manto de uma forma diferente neste palco.
O próximo capítulo rubro-negro no Mundial chega já neste domingo (21): o trio uruguaio enfrenta Cabo Verde, às 19h (horário de Brasília), em Miami, pelo Grupo H. Arrascaeta e companhia chegam ao jogo com situação diferente da de Plata — ainda com margem, ainda com opções. A partida é outra; o cenário, também.
Quanto a Plata, o que resta é o que sempre restou nos momentos de pressão máxima no futebol: um jogo, uma chance, uma resposta a dar. Copa do Mundo costuma ser implacável com quem hesita e generosa com quem decide. O atacante rubro-negro vai precisar ser esse segundo tipo — e o Equador vai precisar que ele seja, porque a conta não fecha de outro jeito.